um nível de profundidade filosófica e existencial nas experiências mais simples, como: tomar café, comprar flores e fazer um bolo.
A narrativa se desenvolve em três momentos históricos diferentes, que se alternam na tela. Primeiramente, mostra Virginia Woolf, em 1923, escrevendo seu famoso livro Mrs.Dalloway. Em Richmond, onde, ao lado do marido Leonard, procura a tranquilidade necessária para sua mente perturbada, o filme revela momentos decisivos, que simbolizam sua vida social, familiar e psíquica, terminando com seu suicídio em 1941.
A segunda história se passa em 1949, em um subúrbio de Los Angeles. Laura Brown, casada com um herói de guerra Dan, mãe de um menino de 5 anos Richard e grávida do segundo filho, se sente angustiada com sua vida e pensa em se matar. A trama conta apenas um dia na vida dessa mulher, que é leitora voraz de Virginia Woolf e, no momento, está lendo seu livro Mrs.Dalloway. Essa personagem tem uma família e uma vida normal, aparentemente sem conflitos, o que pode descartar qualquer hipótese de motivo externo atual para a depressão mostrada. Seu marido está fazendo aniversário, e, como esposa, mesmo desanimada, Laura se sente obrigada a lhe fazer uma surpresa. O filho angustiado percebe e acompanha o sofrimento da mãe. Laura é incapaz de pensar em algo diferente da morte, o que se reflete em seu olhar.
A terceira parte do filme se limita a contar o dia em que Clarissa prepara uma festa para Richard, em razão de um prêmio literário que ele receberia. Eles foram amantes por um verão na juventude e mantiveram uma forte amizade até os dias de hoje. Aqui, são retratados os sentimentos de Clarissa em relação a Richard, evidenciados em sua visita rotineira ao amigo e durante os preparativos da festa, quando ela se põe a refletir sobre eles. Richard está em estado terminal de saúde e sugere a ela sua intenção de se suicidar. Em apenas um dia, várias e intensas situações são dramatizadas por esses personagens.
- Virginia Woolf Virginia Woolf, nascida em Londres em 25 de janeiro de 1882, falecida em Lewes em 28 de março de 1941, foi uma escritora e editora britânica, reconhecida como uma das mais importantes figuras do modernismo.
Virginia tinha um papel de destaque na sociedade literária londrina durante o período entre guerras. Seus trabalhos mais famosos incluem os romances Mrs Dalloway (1925), Passeio ao Farol (1927) e Orlando (1928), bem como o livro-ensaio Um Quarto Só Para Si (1929), onde se encontra a famosa citação “Uma mulher deve ter dinheiro e um quarto próprio se ela quiser escrever ficção”.
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