O romance é uma obra-prima da literatura universal, que explora com profundidade e realismo os dilemas existenciais do ser humano, como a culpa, o arrependimento, o livre-arbítrio, a fé, a redenção e o amor. Dostoiévski cria personagens complexos e multifacetados, que expressam suas angústias, suas paixões, suas contradições e suas esperanças. A narrativa é envolvente e cheia de suspense, mantendo o leitor interessado até o final.
Um jovem desesperado e moralmente falho comete um duplo assassinato. Ele fica impune por um tempo, até que um detetive perspicaz o encurrala com uma armadilha sutil. Uma amiga que o aconselha a confessar seu crime, e você tem - bem, talvez não um típico mistério de detetive, mas pelo menos uma trama familiar para um episódio de uma série policial. Essa é a estrutura básica de Crime e Castigo, publicado em 1866, quando Dostoiévski estava se tornando um conservador, depois de ter sido um jovem democrata: por isso a ênfase na confissão, estimulada pela prostituta bondosa que tem um coração de ouro e, portanto, o desprezo de Dostoiévski pelos intelectuais liberais e pelos que culpam a sociedade pelos crimes que cometem. Então Rodion Raskolnikov, que decide matar uma agiota velha e cruel, “uma velhinha mirrada e avarenta, de uns sessenta anos, com olhinhos astutos e malvados, um narizinho pontudo e a cabeça descoberta”, entra com um machado, e depois mata também sua irmã que aparece na hora errada. O tradutor Katz consegue dar ao assassinato um tom adequadamente horrível, com sangue esguichando, olhos esbugalhados e coisas assim.
Crime e Castigo é um livro que merece ser lido por todos que apreciam uma boa literatura e que querem conhecer melhor a obra de Dostoiévski, um dos maiores escritores de todos os tempos. Dostoiévski nasceu em Moscou, em 1821, e teve uma vida difícil, marcada por problemas financeiros, doenças, prisões e exílios. Sua obra literária é caracterizada por uma profunda análise psicológica dos personagens, além de temas como a moralidade, a religião e a sociedade. Dostoiévski é considerado um dos pais do existencialismo, uma corrente filosófica e literária que defende a liberdade individual, a subjetividade e a responsabilidade do ser humano. Dostoiévski morreu em São Petersburgo, em 1881, deixando um legado de obras-primas como Os Irmãos Karamazov, O Idiota, Os Demônios e Memórias do Subsolo.
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