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Resenha: Castelo: a marcha para a ditadura, de Lira Neto

APRESENTAÇÃO Primeiro presidente da ditadura instaurada em 1964, Humberto de Alencar Castello Branco é um personagem-chave da história do Brasil contemporâneo. Seu curto mandato ainda hoje enseja reavaliações e revisionismos. Exercendo com habilidade e discrição o poder quase absoluto, Castello lançou as bases do regime de força que atormentou o país durante duas décadas. Ora visto como monstruoso e implacável, ora como tolerante e sensato, o estrategista do golpe civil-militar continua a levantar polêmicas, mas, contraditoriamente, sua trajetória tem sido pouco estudada. Em sua primeira grande biografia, agora em nova edição, Lira Neto apresenta uma visão abrangente e equilibrada sobre o homem, o militar e o político, munido da mais completa documentação já reunida sobre Castello. O autor da aclamada trilogia Getúlio investiga em profundidade a vida e as lutas do general franzino que, sem disparar um tiro, derrotou inimigos e aliados na guerra sem quartel pelo poder máximo da Repúblic...

O Vermelho e o Negro: Uma Obra-Prima Atemporal de Stendhal

Foto: Arte digital APRESENTAÇÃO O vermelho e o negro conta a história de Julien Sorel, um jovem pobre e talentoso que, nos convulsivos anos de 1830, deixa para trás sua origem provinciana para circular entre as altas esferas da sociedade parisiense. Mas o passado é traço difícil de apagar, e tão fortes quanto a determinação de Julien são as paixões que o dominam: o jovem tenta sufocar lembranças pessoais e a admiração ardente que nutre por Napoleão, figura non grata nos salões burgueses da Restauração, mas o faz em vão. Crônica mordaz de seu tempo e romance inaugural do gênero psicológico, não é à toa que esta obra cumpriria à risca o destino vaticinado por seu autor, vindo a ser compreendida apenas muitos anos após sua publicação. RESENHA Foto: Arte digital Henri Beyle, também conhecido como Stendhal, via seus romances como bilhetes de loteria, buscando encontrar leitores no futuro. Le Rouge et le Noir, publicado em 1830, acabou por se tornar um sucesso, com destaque em retratos ofici...

[RESENHA #991] Esboço de uma teoria da cultura, de Zygmunt Bauman

O livro Ensaios sobre o conceito de cultura, originalmente intitulado Culture as práxis (Cultura como práxis), foi escrito por um Bauman anterior à sua fama por abordar a liquidez da era moderna. Nesta obra, composta por três capítulos, Bauman revisita a evolução do conceito de cultura desde a filosofia grega antiga até o pós-estruturalismo. O primeiro capítulo explora a cultura como conceito, enfatizando sua natureza ambígua e sua incorporação em três universos discursivos distintos: hierárquico, diferencial e genérico. Bauman introduz o conceito hierárquico de cultura, destacando sua origem e a importância da educação e refinamento na sociedade. Ele discute a ideia de que a cultura é uma propriedade humana que pode ser adquirida, transformada e moldada. Para Bauman, a cultura hierárquica é carregada de valores e serve como um ideal a ser alcançado. Bauman analisa que, para os antigos gregos, o ideal cultura-natureza não se dividia como estamos acostumados hoje em dia. O que era moral...

[RESENHA #990] Estranhos à nossa porta, de Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman examina as origens, os contornos e o impacto do pânico moral atual em torno da “crise migratória” na Europa. Explora o medo gerado pelas campanhas políticas, argumentando que esta “crise da humanidade” exige, em vez disso, uma “fusão de horizontes” através do diálogo. Embora Nicolas Schneider sugira que possa ser necessária uma análise mais sistemática e detalhada sobre como se opor a esta dinâmica emergente de desumanização na política contemporânea, ele considera que este texto oferece, no entanto, um valioso vislumbre introdutório às complexidades da questão.  Bauman desmantela o “pânico migratório” na Europa, abordando a erosão do moral compass na política ocidental. Ele expõe as campanhas políticas hipócritas que promovem o medo, e defende o diálogo como solução para a “crise da humanidade”. O livro, embora às vezes pareça uma coletânea de ensaios, revela os mecanismos políticos que moldam a realidade atual, criticando a política contemporânea. Bauman expressa p...

[#988 RESENHA] Coelho maldito, de Bora Chung

SORE O LIVRO Os contos presentes em Coelho maldito, livro finalista do International Booker Prize, transitam entre realismo mágico, folclore, horror, ficção científica e fantasia, partindo de elementos insólitos para narrar histórias assombrosas que tocam em temas profundamente reais. A coletânea é a primeira obra de Bora Chung, uma das mais notáveis escritoras sul-coreanas da atualidade, publicada fora da Coreia.Em uma família cujos negócios consistem em criar objetos de maldição, o avô relembra um episódio envolvendo um amigo de infância e um abajur amaldiçoado em formato de coelho. Uma gestante precisa encontrar um pai para o filho o mais rápido possível, e evitar que a criança sofra consequências terríveis. Despertando no completo escuro após sofrer um acidente, uma professora confia na única coisa que tem por perto para levá-la de volta à luz: uma voz desconhecida. As dez histórias que compõem Coelho maldito partem de imagens grotescas, assombrosas e incômodas para t...

[RESENHA #934] Dom Quixote, de Miguel de Cervantes

Dom Quixote é uma obra-prima da literatura mundial escrita por Miguel de Cervantes. Publicado pela primeira vez em 1605, o livro é considerado um dos mais importantes da história da literatura e um marco na literatura espanhola. Com uma narrativa rica e complexa, Dom Quixote retrata a história de um cavaleiro errante que busca justiça e aventura em um mundo que ele próprio cria em sua mente. A história de Dom Quixote é ambientada na Espanha do século XVII e gira em torno de um personagem chamado Alonso Quijano, um homem de meia-idade que enlouquece após ler muitos livros de cavalaria. Convencido de que é um cavaleiro andante, ele decide adotar o nome de Dom Quixote e parte em busca de aventuras, acompanhado por seu fiel escudeiro Sancho Pança. A narrativa de Cervantes é extremamente rica em detalhes e apresenta uma variedade de personagens e situações. Ao longo da história, Dom Quixote se envolve em uma série de episódios cômicos e trágicos, nos quais ele enfrenta moinhos de vento que ...

[RESENHA #933] A alma encantadora das ruas, de João do Rio

“A Alma Encantadora das Ruas” é uma obra-prima da literatura brasileira escrita por João do Rio, pseudônimo de Paulo Barreto. Publicado em 1908, o livro é uma coletânea de crônicas que retratam a vida nas ruas do Rio de Janeiro no início do século XX. Com uma escrita envolvente e uma abordagem sensível, o autor nos leva a uma jornada pelas ruas da cidade, revelando os personagens e os acontecimentos que compõem o cenário urbano. João do Rio é um observador atento da cidade e das pessoas que a habitam. Ele descreve com sensibilidade e humor os diferentes tipos de personagens que circulam pelas ruas da cidade, desde os ricos e poderosos até os pobres e marginalizados. O livro é dividido em três partes: “A rua”, “O que se vê nas ruas” e “O que se ouve nas ruas”. Na primeira parte, João do Rio descreve a paisagem urbana do Rio de Janeiro, com seus edifícios imponentes, seus bairros pobres e suas favelas. Na segunda parte, ele retrata as diferentes profissões e atividades que se realizam na...

[RESENHA #764] Cartas, de Caio Fernando Abreu

Devolvemos ao público este volume de correspondência de Caio Fernando Abreu, esgotado havia vários anos, depois da pioneira edição pela editora Aeroplano, de 2002, uma iniciativa de Heloisa Buarque de Hollanda, composta por cartas enviadas por Caio a Maria Adelaide Amaral, Hilda Hilst, Flora Süssekind, Cida Moreira, Gilberto Gawronski, Jacqueline Cantore, João Silvério Trevisan, Mario Prata, entre outros. A presente edição das cartas de Caio marca os vinte anos de sua morte, ocorrida em 1996, e vem atualizada e enriquecida pelo acréscimo de cartas e cartões. RESENHA Cartas, de Caio Fernando Abreu, é uma coletânea de correspondências do escritor gaúcho com diversos amigos, colegas, familiares e amores, entre os anos de 1968 e 1995. O livro, organizado por Italo Moriconi, foi lançado em 2016, vinte anos após a morte de Caio, e traz uma visão íntima e reveladora de sua personalidade, de sua trajetória literária e de sua época. Caio Fernando Abreu é considerado um dos principais representa...

[RESENHA #763] Contos completos, de Caio Fernando Abreu

Pela primeira vez, a reunião de todos os contos de um dos autores mais viscerais da contracultura brasileira. Publicados entre as décadas de 1970 e 1990, os contos de Caio Fernando Abreu são o retrato de uma geração. Os tempos autoritários e sombrios dos anos de chumbo aparecem nesta reunião não apenas como pano de fundo, mas como parte constituinte de uma prosa que se consagrou pelo estilo combativo e radical. Vida e obra, aqui, se misturam a ponto de biografia se transformar em literatura e vice-versa. Em Contos completos, o leitor tem a chance de percorrer toda a produção do autor no gênero da prosa breve. O volume abarca seis títulos ― Inventário do ir-remediável (1970), O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), Os dragões não conhecem o paraíso (1988) e Ovelhas negras (1995) ―, além de dez contos avulsos, sendo três deles inéditos em livro. O livro inclui, por fim, textos de Italo Moriconi, Alexandre Vidal Porto e Heloisa Buarque de Hollanda, que ...

[RESENHA #759] Limite branco, de Caio Fernando Abreu

O romance de estreia de um dos autores mais marcantes da literatura brasileira. Escrito quando Caio Fernando Abreu tinha apenas dezenove anos e publicado poucos tempo depois, em 1971, Limite branco inaugura a trajetória de uma das vozes mais apaixonantes da nossa literatura. Ao longo da trama, acompanhamos as descobertas, os anseios e os temores de Maurício num período intenso e angustiante, quando a infância fica para trás e o caminho que leva à vida adulta não passa de uma incógnita. Para a escritora Natalia Borges Polesso, que assina o posfácio da presente edição, neste livro “há um limite branco, que uma pessoa cruza para amadurecer, no qual as emoções se borram e se sobrepõem e não se tem muito uma ideia de onde começa um sentimento e o outro termina.” RESENHA Limite branco é o primeiro romance do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu, publicado em 1970. A obra narra as angústias e os questionamentos de Maurício, um jovem que se muda do interior para a capital e se depara com as...

[RESENHA #701] Emma, de Jane Austen

Publicado pela primeira vezem 1815, antes de iniciar a obra, Jane Austen escreveu: Vou escolher uma heroína que, exceto eu, ninguém vai gostar muito. Neste romance, temos a mais independente das protagonistas da autora, além das qualidades magistrais que transformariam seus livros em grandes clássicos da literatura universal: a leveza perspicaz da comédia de costumes, a voz narrativa única, a engrenagem primorosa do enredo, a comicidade dos diálogos e a observação arguta sobre o espaço da mulher em um mundo masculino. RESENHA A história se desenrola na pitoresca cidade fictícia britânica de Highbury, onde a protagonista, Emma, é retratada como uma mulher bonita, rica e inteligente, mas também intrometida, iludida e mimada. Sua personalidade não é exatamente agradável, e você pode não se encontrar torcendo por ela ao ler o romance “Emma”. Depois de ter sucesso em encontrar um par perfeito para sua governanta, a Srta. Taylor, Emma se autodenomina casamenteira. Ela se aproxima da jovem Ha...

[RESENHA #520] O homem e o mundo natural, de Keith Thomas

  THOMAS, Keith. “O predomínio humano” . In:  h omem e o mundo natural: Companhia das Letras, 1988. p. 21- 60. Keith Thomas é um historiador, nascido em 2 de janeiro de 1933 na cidade inglesa da América do Norte, mais conhecido por seus livros "Religion and the Decline of Magic" e "Man and the Natural World". Ele é professor da Universidade de Oxford e membro da Academia Britânica. No livro "O Homem e o Mundo Natural", o autor fala sobre a relação do homem com o mundo natural e sua visão natural da natureza. trabalho "destina-se a expressar ideias, algumas das quais foram habilmente expressas, em favor das ideias, pensamentos e sentimentos britânicos do início da era moderna em relação aos animais." , os pássaros, a vegetação e a natureza que eles deram a eles. muitas vezes em lugares que não podemos imaginar hoje” (p.19). O capítulo “O Domínio do Homem” está dividido em cinco diferentes seções que visam examinar de diferentes formas as correntes...

[RESENHA #519] História da vida privada no Brasil, de Fernando A. Novais

NOVAIS, Fernando As condições da privacidade na colônia . In: MELLO E SOUZA, Laura, org. c otidiano e vida privada na América portuguesa . São Paulo: companhia das letras, 1997, p13-39. (col. História da vida privada no Brasil, v.1) Novais sobre a reflexão da vida privada nas estruturas da colónia portuguesa no Novo Mundo, procurando explorar o diálogo entre as estruturas gerais do universo colonial e as manifestações da privacidade no seu quotidiano. As crônicas de Coeval consideraram o primeiro traço revelador do terreno comum da colônia com o mundo urbano; em segundo lugar, talvez algo estivesse errado, já que o quadro de referência de nosso irmão, que evocava sua estranheza, era um país europeu. Uma das marcas da Idade Moderna, do Renascimento ao Iluminismo, editado por Roger Chartier. Entre a Idade Média, quando o Ocidente cristão se estabeleceu como uma "comunidade divina" e os mundos racionais e capitalistas contemporâneos foram expostos à mudança do Império, a região ...