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Primeira Cruzada: Contexto e desdobramentos

A Primeira Cruzada (1096–1099) foi a primeira de uma série de conflitos religiosos promovidos pela Igreja Católica durante a Idade Média, com o objetivo principal de reconquistar a Terra Santa, que estava sob controle islâmico. No século XI, a ocupação da região pelos seljúcidas representava uma ameaça para as comunidades cristãs locais, peregrinos ocidentais, e o Império Bizantino. A Primeira Cruzada teve início em 1095, quando Aleixo I Comneno, imperador bizantino, solicitou, durante o Concílio de Placência, apoio militar contra os turcos seljúcidas. Posteriormente, no Concílio de Clermont, o papa Urbano II endossou o pedido de ajuda bizantino e incentivou os cristãos a ir à Terra Santa. O apelo foi amplamente aceito por diversas classes sociais na Europa Ocidental, resultando em um grande contingente de cristãos pobres liderados pelo padre francês Pedro, o Eremita. Esta mobilização inicial, chamada de Cruzada Popular, passou pelo Sacro Império Romano-Germânico, onde se envolveram em...

Segunda Cruzada: Contexto e desdobramentos

A Segunda Cruzada foi uma campanha militar dos cristãos ocidentais, convocada pelo Papa Eugênio III em resposta à tomada de Edessa pelo governador muçulmano Zengui em 1144. Liderada pelo influente São Bernardo de Claraval, ocorreu entre 1147 e 1149 e foi a primeira cruzada conduzida por monarcas europeus, incluindo Luís VII da França, Leonor da Aquitânia e Conrado III da Germânia. Muitos estudiosos a consideram um fracasso, pois os cruzados não conseguiram recuperar Edessa ou qualquer outra cidade, e deixaram o Reino de Jerusalém politicamente mais vulnerável. Ao atacar a cidade-estado independente de Damasco, que ocasionalmente se aliava aos ocidentais contra outros líderes muçulmanos mais poderosos, contribuíram para a unificação do mundo islâmico no Levante sob o apelo à jihad. Esse movimento acabou fortalecendo líderes como Noradine e Saladino, resultando na conquista de Jerusalém por este último. O único êxito cristão na Segunda Cruzada foi durante a Reconquista da Península Ibéri...

Terceira Cruzada: Contexto e desdobramentos

A Terceira Cruzada (1189-1192), convocada pelo Papa Gregório VIII em resposta à captura de Jerusalém por Saladino em 1187, recebeu o nome de Cruzada dos Reis. Esse título deve-se à participação dos três monarcas mais influentes da Europa na época: Filipe Augusto da França, Frederico Barba Ruiva do Sacro Império Romano-Germânico e Ricardo Coração de Leão da Inglaterra. Eles reuniram a maior força cruzada desde 1095. Uma característica distintiva dessa cruzada foi a inclusão dos Cavaleiros Teutônicos. Causas Após 25 anos de intensas lutas internas e ofensivas maometanas subsequentes à Segunda Cruzada, os estados cruzados do Oriente enfrentaram uma crise política e militar. Paradoxalmente, essa fase também trouxe um desenvolvimento econômico e patrimonial. No século XIII, surgiu o código Assises de Jerusalém (Fundamentos do Reino de Jerusalém), que formalizou o sistema feudal na região. Durante esse período, duas ordens militares cristãs, os cavaleiros de São João de Jerusalém e os templá...

Quarta Cruzada: Contexto e desdobramentos

A Quarta Cruzada, ocorrida entre 1202 e 1204, foi inicialmente planejada para retomar a Terra Santa, que estava sob controle muçulmano, através da invasão do Egito. No entanto, essa cruzada desviou-se de seu objetivo principal. Em parceria com os venezianos, os cruzados invadiram e saquearam Constantinopla, a capital cristã do Império Bizantino. Esse acontecimento resultou na criação do Império Latino e na intensificação do Grande Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e as Igrejas Bizantinas. Contexto A partir de 1198, o papa Inocêncio III começou a motivar a cristandade para iniciar uma nova cruzada, recebendo grande apoio da nobreza europeia. Suas habilidades de liderança e competência organizacional conferiam a seu pontificado uma considerável confiança popular. A Quarta Cruzada foi liderada por Balduíno IX, Conde de Flandres, e Bonifácio II, Marquês de Monferrato. O transporte dos exércitos ocorreu a partir de Veneza, uma república comercial que enfrentava tensões crescentes com...

Quinta Cruzada: Contexto e desdobramentos

A Quinta Cruzada (1217-1221) surgiu por iniciativa do papa Inocêncio III, que a propôs em 1215 durante o Quarto Concílio de Latrão. No entanto, foi o seu sucessor, Honório III, quem efetivamente a colocou em prática. O papado havia contribuído para descredibilizar o ideal das cruzadas ao usá-las para suprimir cristãos heterodoxos no sul da França, na chamada Cruzada albigense. Mesmo assim, o papa Honório III conseguiu apoio para uma nova expedição. Entre os líderes da cruzada estavam André II da Hungria, Leopold VI, duque da Áustria, João I de Brienne, titular do reino de Jerusalém, e Frederico II, imperador do Sacro Império. Foi Frederico II quem decidiu organizar a expedição. Decidiu-se que, para conquistar Jerusalém, o Egito deveria ser tomado primeiro, pois controlava esse território. Em maio de 1218, as tropas de Frederico II partiram para o Egito sob o comando de João de Brienne. Desembarcaram em São João D'Acre e resolveram atacar Damieta (Dumyat), cidade que servia de acess...

Sétima Cruzada: Contexto e desdobramentos

Após o término da trégua de 1229, firmada durante a Sexta Cruzada, uma expedição militar cristã com recursos limitados e liderada por Ricardo de Cornualha e Teobaldo IV de Champanhe dirigiu-se à Palestina para reforçar a presença cristã nos locais sagrados. Mesmo assim, em 1244 Jerusalém caiu sob controle dos turcos muçulmanos. Em 1255 ocorreu o desastre de Gaza. Nesse período, o papa Inocêncio IV convocou o Primeiro Concílio de Lyon, onde o rei da França Luís IX, mais tarde canonizado como São Luís, expressou seu desejo de ajudar os cristãos no Levante. Luís IX passou três anos se preparando, mas partiu com um numeroso exército de 35.000 homens. O monarca francês aproveitou as perturbações causadas pelos mongóis no Oriente e embarcou de Aigues-Mortes para o Egito em 1248. Fez uma parada em Chipre em setembro desse ano, antes de atacar o Egito. Em junho de 1249, Damieta foi recapturada pelos cristãos, servindo como base para futuras operações de conquista na Palestina. Em 1250, quase c...

Oitava Cruzada: Contexto e desfecho

Em 1265, os egípcios da dinastia mameluca conquistaram Cesareia Marítima, Haifa e Arçufe. No ano seguinte, ocuparam a Galileia e parte da Armênia, e em 1268, tomaram Antioquia. O Oriente Médio passava por uma fase de desordem entre as ordens religiosas encarregadas de sua defesa, bem como entre comerciantes genoveses e venezianos. O rei francês Luís IX (São Luís) revigorou o espírito das cruzadas e lançou a Oitava Cruzada em 1270, embora sem grande ressonância na Europa. Desta vez, os objetivos eram diferentes: ao invés do Levante, o foco era Túnis, e o propósito era mais religioso do que militar, visando à conversão do emir local. Luís IX inicialmente planejou ir ao Egito, que estava sendo devastado pelo sultão Baibars. Em seguida, direcionou-se para Túnis na esperança de converter o governador da cidade ao Cristianismo. No entanto, o governador Mostanser o recebeu com resistência armada. A expedição de São Luís resultou em tragédia, a exemplo de muitas outras. As forças francesas não...

Nona Cruzada: Causas e desdobramentos

A Nona Cruzada é frequentemente vista como uma continuação da Oitava Cruzada. Alguns meses após a Oitava Cruzada, o príncipe Eduardo da Inglaterra, que mais tarde se tornaria Eduardo I, liderou seus seguidores até Acre, mas sem grandes resultados. Em 1268, Baybars, sultão mameluco do Egito, reduziu o Reino de Jerusalém, o mais significativo dos estados cruzados, a uma estreita faixa de terra entre Sídon e Acre. A paz foi mantida graças aos esforços do rei Eduardo I, com o apoio do Papa Nicolau IV. Em 1271 e início de 1272, Eduardo conseguiu enfrentar Baybars, após firmar alianças com alguns de seus opositores. Em 1272, iniciou negociações para estabelecer uma trégua, porém Baybars tentou assassiná-lo ao enviar homens que fingiam querer se converter ao cristianismo. Eduardo então começou os preparativos para atacar Jerusalém, mas foi informado sobre a morte de seu pai, Henrique III. Como herdeiro ao trono, Eduardo decidiu retornar à Inglaterra e firmou um tratado com Baybars, permitindo...