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[RESENHA #998] Os miseráveis, de Victor Hugo

Um clássico da literatura mundial, esta obra é uma poderosa denúncia a todos os tipos de injustiça humana. Narra a emocionante história de Jean Valjean ― o homem que, por ter roubado um pão, é condenado a dezenove anos de prisão. Os miseráveis é um livro inquietantemente religioso e político, com uma das narrativas mais envolventes já criadas. RESENHA A história se passa na França, durante a primeira metade do século XIX. Neste período, o país está imerso em um clima de profundo descontentamento social devido à restauração da monarquia na França após a queda do Império Napoleônico na Batalha de Waterloo. A Revolução Francesa de 1789 havia consolidado na sociedade a ideia de um país mais equitativo, baseado nos princípios de "igualdade, fraternidade e liberdade". A reintrodução de um sistema antiquado como a monarquia é acrescida de uma situação de extrema pobreza e desigualdade social. Neste contexto, algumas células revolucionárias começam a surgir gradualmente buscando acab...

[RESENHA #709] Os irmãos Karamazov, de Dostoiévski

Os irmãos Karamázov é o último romance de Dostoiévski. No fundo, ele resume toda a criatividade do escritor, trazendo à baila as "malditas" questões existenciais que o afligiram a vida inteira, com especial relevo para a flagrante degradação moral da humanidade afastada dos ideais cristãos. Cheia de peripécias, a narrativa põe em foco três protagonistas irmãos, representantes dos mais diversos aspectos da realidade russa – o libertino Dmítri, o niilista Ivan e o sublime Aliocha –, a fim de alumiar as profundezas insondáveis do coração entregue ao pecado, corrompido por dúvidas ou transbordante de amor. RESENHA "Os Irmãos Karamazov", uma obra-prima literária de Fiódor Dostoiévski, publicada em 1879, é considerada uma das maiores realizações da literatura russa e global. Sigmund Freud, o fundador da psicanálise, a considerou a "maior obra da história" e a colocou ao lado de "Édipo Rei" e "Hamlet" como textos fundamentais que exploram a te...

[RESENHA #708] O jogador, de Dostoiévski

O jogador, de Fiódor Dostoiévski é um primoroso romance cujo teor psicológico ultrapassa os estreitos limites do gênero recreativo. Baseado num profundo conhecimento das práticas e rotinas do cassino, ele evidencia a sinistra degradação de um jovem culto e talentoso que sacrifica o melhor de si à doentia paixão pelos jogos de azar, a qual lhe subjuga e destrói, aos poucos, a alma. O protagonista, em que se percebem diversos traços do próprio autor, vê toda a sua riqueza espiritual – dignidade, força de caráter e honra cavalheiresca – levada pela estonteante rotação da roleta. Mesmo o amor, a única fonte de alegrias e esperanças que ele possui, acaba sorvido por esse redemoinho. Os vícios humanos, sejam relacionados ao jogo, como no livro de Dostoiévski, ou às drogas, como em nossa realidade cotidiana, ainda estão longe de ser extirpados, tornando O jogador tão interessante para os leitores de hoje. RESENHA "O Jogador ou Um Jogador - Apontamentos de um Homem Moço" é uma obra n...

[RESENHA #705] Persuasão, de Jane Austen

Persuasão foi o último trabalho completo de Jane Austen. O livro conta a história de Anne Elliot, uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seu passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como uma mulher pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade. RESENHA Há sete anos, Anne Elliot recebeu uma proposta de casamento de um jovem chamado Frederick Wentworth. Embora estivessem muito apaixonados, Anne permitiu-se ser persuadida a não se casar por uma amiga da família, Lady Russell. Com o coração partido, Wentworth saiu e ingressou na Marinha. Anne, aos 27 anos, que se deteriora muito rapidamente, enfrenta agora um perigo iminente. Suas i...

[RESENHA #703] Mansfield Park, de Jane Austen

Na literatura, esperamos que o herói seja vigoroso, tenha um espírito aventureiro, audácia, bravura, capacidade de superação e uma pitada de imprudência. Ele deve ser ativo, enfrentar obstáculos e afirmar a própria energia. Fanny Price, a heroína de Mansfield Park, é o oposto de tudo isso. Frágil, tímida, insegura e excessivamente vulnerável, a pequena Fanny deixa a casa dos pais pobres para morar com os tios mais afortunados em Mansfield Park. Lá, convive com diversos familiares, mas se aproxima apenas do primo Edmund, seu companheiro inseparável. A tranquilidade de casa, no entanto, é abalada com a chegada dos irmãos Mary e Henry Crawford em uma propriedade vizinha. Edmund se apaixona por ela, enquanto Henry flerta com todas as moças. Mansfield Park é o romance que marca a maturidade de Jane Austen. Apresenta um tom mais contido, sardônico, em comparação com obras idealizadas antes, como Orgulho e preconceito e Razão e sensibilidade. Aqui, mais consciente dos verdadeiros males e sofr...

[RESENHA #702] Razão e sensibilidade, de Jane Austen

Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz. RESENHA “Razão e Sensibilidade” é uma narrativa que gira em torno das irmãs Dashwood, Elinor e Marianne, que são notavelmente diferentes uma da outra. A história se desenrola com a morte de seu pai, Henry Dashwood, deixando as irmãs, sua mãe e a irmã...

[RESENHA #700] A abadia de Northanger, de Jane Austen

Catherine Morland, dezessete anos, coração puro, é uma mocinha ingênua, viciada em livros repletos de desventuras horripilantes e amores trágicos. Sabendo sobre a vida apenas o que leu nos romances, ela sai de seu obscuro vilarejo natal para passar uma temporada em Bath, estação balneária frequentada pela aristocracia inglesa, onde conhece bailes excitantes, uma amiga amabilíssima, um cavalheiro encantador e outro insuportável. E sai de Bath para ser hóspede, como num sonho, de uma abadia. A antiga construção, porém, revelará sinais misteriosos, indícios de que foi cenário, no passado, de um crime medonho. Exatamente como ela lera nos livros. RESENHA  “Abadia de Northanger” é o primeiro romance concluído por Jane Austen, embora não tenha sido publicado durante sua vida. É notavelmente mais curto do que seus outros trabalhos e pode surpreender os leitores com seus elementos únicos. O livro é uma combinação de uma história de amadurecimento e uma sátira da obsessão pelos romances gót...

[RESENHA #699] Lady Susa, de Jane Austen

As histórias aqui apresentadas, que pertencem ao que se costuma chamar de “juvenília” de Jane Austen, são obras escritas ou esboçadas quando a autora ainda era adolescente. Neste volume o leitor se divertirá lendo “Frederic e Elfrida”, “Jack e Alice”, “Edgar e Emma”, “Henry e Eliza”, “Amor e amizade”, “Uma história da Inglaterra”, “As três irmãs”, “Lesley Castle”, “Evelyn”, “Catharine ou O caramanchão” e “Lady Susan”, além dos dois textos inacabados, escritos quando já mais madura: “Os Watsons” e "Sanditon”. RESENHAS Lady Susan, de Jane Austen, é um romance epistolar que nunca recebeu tanta atenção quanto seus outros seis romances principais. A obra, escrita entre 1793 e 1794, quando Austen ainda era uma adolescente, é uma das primeiras tentativas da autora de escrever neste formato. O manuscrito permaneceu inédito até 54 anos após a morte de Austen, sendo publicado pela primeira vez em 1871. A história gira em torno de Lady Susan Vernon, uma viúva de trinta e poucos anos que está...