Mostrando postagens com o rótulo principis

Postagens

[RESENHA #707] O crime do padre amaro, de Eça de Queiroz

Com a morte do pároco da cidade de Leiria, o padre Amaro é designado para o cargo na igreja local e instala-se na casa de S. Joaneira, uma assídua religiosa. Amaro, se encanta com Amélia, filha da hospedeira, e desperta ciúmes no pretendente da jovem. A paixão cresce no antro eclesiástico de Leiria e o padre amaldiçoa o sacerdócio por não permitir que realize os seus desejos. RESENHA No seu primeiro romance, Eça de Queiroz aborda um tema ainda controverso nos dias de hoje: a relação entre o Clero, a Sociedade e a Política. É relevante destacar que a obra foi escrita em 1875, e apesar de algumas mudanças comportamentais, ainda é possível traçar um paralelo entre o século XIX e o século XXI. Amaro Vieira, o protagonista, torna-se padre para cumprir o testamento deixado pela patroa de sua mãe, a Marquesa de Alegros, que sempre foi sua protetora. Como órfão, ele sempre esteve ligado às questões eclesiásticas. Depois de um período de clausura, é enviado para uma cidade muito pobre, onde as ...

[RESENHA #706] O primo basílio, de Eça de Queiroz

Eça de Queirós, neste livro, faz uma crítica severa à sociedade lisboeta do século XIX. O autor mostra a lenta deformação do caráter de Luísa, mulher de formação romântica entediada com o casamento, sob o efeito de leituras e músicas sentimentais. Durante uma viagem do marido Jorge, Luísa envolve-se com seu sedutor primo Basílio. Porém, Juliana, a invejosa e vingativa criada, descobre o caso e arma um esquema de chantagem. Muitas emoções e reviravoltas num clássico do realismo português. RESENHA “O Primo Basílio”, um romance de Eça de Queiroz lançado em 1878, é uma crítica incisiva à família burguesa urbana do século XIX. Depois de criticar a vida provincial em “O Crime do Padre Amaro”, Eça de Queiroz volta sua atenção para a cidade, explorando as mesmas falhas, mas desta vez na capital. Ele faz isso através do retrato de uma família burguesa que parece feliz e perfeita na superfície, mas que tem bases falsas e corruptas. O compromisso de "O Primo Basílio" com seu tempo é evi...

[RESENHA #698] Sanditon, de Jane Austen

Sanditon foi o último romance de Jane Austen, escrito quando estava gravemente doente, um legado inacabado à sobrinha. Um texto que oferece um vislumbre dos poderes criativos finais e das preocupações de uma das maiores figuras da literatura inglesa. Elogiados pela crítica e estudados por acadêmicos, os romances de Jane Austen perduram por causa de sua popularidade entre os leitores. As observações espirituosas e astutas da autora elevam seus contos de festas, fofocas e romance em questões de drama cativante, oferecendo um retrato evocativo da vida cotidiana nas cidades e no campo da Inglaterra da época da regência. RESENHA “Sanditon” - um fragmento de onze capítulos deixado por Jane Austen após sua morte, completado com maestria por um devoto e romancista de Austen - é uma adição encantadora aos amados livros de Austen sobre o mundo da alta sociedade inglesa e o engano, o esnobismo e os romances inesperados que o animam. Quando Charlotte Heywood aceita um convite para visitar o recém-...

[RESENHA] Espumas flutuantes, Castro Alves

“Espumas Flutuantes” é a única obra publicada em vida pelo poeta Castro Alves. Publicado em 1870, o livro reúne 53 textos, incluindo versões de poesias de autores como Victor Hugo e Lord Byron. A obra é marcada por imagens grandiloquentes da natureza (como mar, céu, tufão, sol) e pelo uso abundante de recursos retóricos. Enquanto a poesia de cunho social predomina em outras obras de Alves, aqui o principal tema é o amor. Ao retratar o amor, Castro Alves segue caminhos diferentes dos poetas das gerações anteriores. Em vez do amor espiritualizado de Gonçalves Dias ou do onírico de Álvares de Azevedo, retrata suas musas com sensualidade quase erótica. A inspiração para muitos desses versos vem do romance com a atriz portuguesa Eugênia Câmara. Suas experiências e inspirações amorosas refletem-se, por exemplo, em “Boa-Noite”, “Adormecida” e “Hebreia”, três dos melhores poemas. Apesar de alguns versos de gosto duvidoso, quando bem-sucedido, o poeta é capaz de apontar tendências parnasianas –...

Análise: Memórias de um sargento de milicias, Manuel Antônio de Almeida

Memórias de um sargento de milícias apresenta uma galeria de personagens dos mais diferentes tipos: o menino malandro, a alcoviteira, o barbeiro, o compadre, a comadre, o mestre de cerimônias, a cigana... O protagonista da história é o malandro Leonardo, filho de Leonardo-Pataca e Maria-da-Hortaliça, que vive livremente praticando travessuras. As malandragens de Leonardo são o centro da narrativa e isso só tem fim quando ele é escolhido pelo chefe de polícia para ocupar o cargo de sargento de milícias. Contexto histórico e social Memórias de um Sargento de Milícias foi publicado em 1853, durante o período do romantismo no Brasil. Essa fase literária foi marcada por um nacionalismo exacerbado, uma valorização da natureza e da cultura popular, e um interesse pela história e pelas lendas do país. O contexto histórico da obra é o Rio de Janeiro do início do século XIX. A cidade era uma mistura de culturas, com uma população composta por portugueses, brasileiros, africanos e indíg...