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[RESENHA #991] Esboço de uma teoria da cultura, de Zygmunt Bauman

O livro Ensaios sobre o conceito de cultura, originalmente intitulado Culture as práxis (Cultura como práxis), foi escrito por um Bauman anterior à sua fama por abordar a liquidez da era moderna. Nesta obra, composta por três capítulos, Bauman revisita a evolução do conceito de cultura desde a filosofia grega antiga até o pós-estruturalismo. O primeiro capítulo explora a cultura como conceito, enfatizando sua natureza ambígua e sua incorporação em três universos discursivos distintos: hierárquico, diferencial e genérico. Bauman introduz o conceito hierárquico de cultura, destacando sua origem e a importância da educação e refinamento na sociedade. Ele discute a ideia de que a cultura é uma propriedade humana que pode ser adquirida, transformada e moldada. Para Bauman, a cultura hierárquica é carregada de valores e serve como um ideal a ser alcançado. Bauman analisa que, para os antigos gregos, o ideal cultura-natureza não se dividia como estamos acostumados hoje em dia. O que era moral...

[RESENHA #990] Estranhos à nossa porta, de Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman examina as origens, os contornos e o impacto do pânico moral atual em torno da “crise migratória” na Europa. Explora o medo gerado pelas campanhas políticas, argumentando que esta “crise da humanidade” exige, em vez disso, uma “fusão de horizontes” através do diálogo. Embora Nicolas Schneider sugira que possa ser necessária uma análise mais sistemática e detalhada sobre como se opor a esta dinâmica emergente de desumanização na política contemporânea, ele considera que este texto oferece, no entanto, um valioso vislumbre introdutório às complexidades da questão.  Bauman desmantela o “pânico migratório” na Europa, abordando a erosão do moral compass na política ocidental. Ele expõe as campanhas políticas hipócritas que promovem o medo, e defende o diálogo como solução para a “crise da humanidade”. O livro, embora às vezes pareça uma coletânea de ensaios, revela os mecanismos políticos que moldam a realidade atual, criticando a política contemporânea. Bauman expressa p...

[RESENHA #695] Modernidade Liquida, de Zygmunt Bauman

APRESENTAÇÃO No livro clássico de sua obra ― agora em novo projeto gráfico ―, o sociólogo Zygmunt Bauman examina como se deu a passagem de uma modernidade “pesada” e “sólida” para uma modernidade “leve” e “líquida”, infinitamente mais dinâmica. Zygmunt Bauman cumpre aqui sua missão de sociólogo, esclarecendo como se deu a transição da modernidade e nos auxiliando a repensar os conceitos e esquemas cognitivos usados para descrever a experiência individual humana e sua história conjunta. É a essa tarefa que se dedica este livro. Analisando cinco conceitos básicos que organizam a vida em sociedade ― emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade ―, Bauman traça suas sucessivas formas e mudanças de significado.  Modernidade líquida  complementa e conclui a análise realizada pelo autor em  Globalização: As consequências humanas  e  Em busca da política . Juntos, esses três volumes formam uma análise brilhante das condições cambiantes da vida social...

[Resenha #497] Retrotopia, de Zygmunt Bauman

APRESENTAÇÃO Decorrente da crise dos Estados-nação e do abismo cada vez maior entre poder e política, a retrotopia é a utopia do passado. Vivemos a perda completa da esperança de alcançar a felicidade em algum lugar idealizado no futuro - como a famosa ilha Utopia imaginada por Thomas More -, o que leva a uma glorificação de práticas e projetos de tempos passados. Esse é o último livro de Bauman, o grande pensador da modernidade líquida, falecido em janeiro de 2017.Retrotopiadisseca o fenômeno atual de busca por um mundo melhor não mais no futuro a ser construído, mas em ideias e ideais do passado, como nacionalismos exacerbados e fechamento de fronteiras. Assim, a nostalgia se transformou em um mecanismo de defesa nos últimos tempos. Grandes planos do passado - abandonados, mas não mortos - estão sendo ressuscitados e reabilitados como possíveis caminhos para um mundo melhor. RESENHA Esta análise aborda a ‘Retrotopia’ de Zygmunt Bauman, publicada logo após o falecimento do renomado so...

[RESENHA #482]“Moby Dick” de Herman Melville

Moby Dick de Herman Melville é um romance, no qual o narrador, Ishmael, faz amizade com Queequeg, um arpoador dos mares do sul, e juntos procuram uma tripulação baleeira.  Eventualmente, eles se juntam ao capitão Ahab a bordo do Pequot.  Ishmael logo descobre que Ahab havia perdido a perna e o navio para uma baleia, chamada Moby Dick.  O capitão e sua tripulação navegam ao redor do mundo para caçar a baleia por vingança.  O livro tem um tema muito profundo e ambicioso, pois Herman Melville aborda muitas controvérsias ao longo de sua escrita, com comentários sutis.  Os personagens e o enredo se encaixam perfeitamente e tudo é bem desenvolvido com algum tipo de história de fundo que se estende por todas as suas páginas.  Este romance de 1851 é considerado por muitos críticos como um dos maiores romances americanos. Alguns até o consideram o maior romance da língua inglesa, independentemente da nacionalidade. Mas é um trabalho intimidador.  É do conhecime...

Resenha: O pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-exupéry

APRESENTAÇÃO O Pequeno Príncipe é uma obra prima que conduz o leitor a uma viagem de descobertas pela essência humana. Este clássico atemporal de Antoine de Saint-Exupéry narra a história sobre o encontro de um aviador e um menino com “cabelos da cor do ouro”. À medida que o principezinho conta ao aviador sobre sua rotina no asteroide B 612, sua rosa única, o perigo dos baobás, sua raposa e os moradores de outros planetas, um novo olhar sobre a vida e o mundo é revelado. RESENHA “O Pequeno Príncipe” é uma obra literária do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, publicada pela primeira vez em 1943, nos Estados Unidos. A história é contada a partir da perspectiva de um piloto que, após um acidente com seu avião no deserto do Saara, encontra um jovem príncipe de outro planeta. O livro é marcado por seu alto teor filosófico e poético, mesmo sendo considerado a princípio uma literatura para crianças. A importância de “O Pequeno Príncipe” reside em sua representação vívida e comovente da...

Resenha: Modernidade e Holocausto, de Zygmunt Bauman

APRESENTAÇÃO Vencedor do prêmio Amalfi, concedido ao melhor livro de sociologia publicado na Europa em 1989, Modernidade e Holocausto discute o que a sociologia pode nos ensinar sobre o Holocausto, concentrando-se mais particularmente, porém, nas lições que o Holocausto tem a oferecer à sociologia. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman ressalta como o significado do Holocausto pôde ser subestimado em nossa compreensão de modernidade: ora o Holocausto é reduzido a algo que aconteceu com os judeus, ora é visto como representando aspectos repulsivos da vida social que o progresso da modernidade irá gradualmente superar. Não há nada comparável a esse livro na literatura sociológica. Sutil, porém intenso e perturbador, causará grande impacto tanto naqueles que lidam diretamente com a disciplina da sociologia como nos interessados por um dos fenômenos mais terríveis de nosso tempo. RESENHA Em ‘Modernidade e Holocausto’, Bauman convida o leitor a adotar uma perspectiva mais crítica e, digamos, m...

Resenha: Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos, de Zygmunt Bauman

APRESENTAÇÃO Zygmunt Bauman, um dos mais originais e perspicazes sociólogos da história, investiga de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais "flexíveis", gerando níveis de insegurança sempre maiores. A modernidade líquida, "um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível" em que vivemos, traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido.  A prioridade a relacionamentos em redes, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade - e frequentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual -, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta: não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a nossa capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada. Como exemplo, o autor examina a crise na atual política imigratória de diversos países da União Europeia e ...